quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quarta-feira, dia dos mortos, na linha 283
O ônibus cruza a cidade sem fim
Quando um velho segurando um guarda-chuva roxo sobe
Ele quer ir até o cemitério
O ônibus esta cheio de velhos segurando guarda-chuvas roxos
Eu era aquele velho

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"O que você quer ser?"



Eu quero 'ser' e não apenas 'ser alguma coisa'
O dia que me definirem estarei morto
Eu serei o 'um cara morto'
Serei alguma coisa

domingo, 30 de outubro de 2011

Pensamento do dia [5]

Um livro bem escrito te deixa mais alto que qualquer garrafa de álcool.

Exercício descritivo 1

(...) é uma daquelas manhas de domingo. Você acorda com o barulho da água da chuva na calha e o cheirinho de café fresco entrando pela fresta da porta aberta na noite anterior, porque assim poderia dormir com um pouco da luz do corredor batendo no seu rosto. Ainda não amanheceu..e o relógio trabalha compassadamente ao lado na comoda. Coberto pelos lençois que o protegem do leve frio da chuva lá fora você nota que a janela do quarto está embasada... e tudo o que você ve agora é uma mistura peculiar de cores quentes dos primeiros raios do sol e das frias cores da noite que ainda resiste ao dia.
Você ouve uma risada baixa, mas sincera vinda da cozinha. Você não sabe, mas seus pais conversam sobre você. Eles estão felizes por ter você em casa depois de tanto tempo. Eles não sabem, mas você também. Na verdade isso é uma daquelas coisas que a gente sente e não conta. Presume que o outro saiba...
Seu pé esquerdo repentinamente foge das cobertas e encara o frio... você apressadamente o cobre de novo. Então você se espreguiça e respira fundo.. e percebe.. a chuva ainda forte lá fora não tem apenas música própria, também tem cheiro. Um cheiro indescritível de terra e grama molhada que agora se mistura ao cheiro mais forte do café.. numa, o som da colher de metal não deixa dúvidas, numa xícara. Logo atrás da porta alguém te observa (...)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Pensamento do dia [4]

Não consigo odiar ninguém. Nem mesmo aqueles que merecem. Só o que eu sinto é uma profunda tristeza àqueles que substimam a sua própria capacidade de fazer o bem.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

No instante que morri

Num instante acabou
As luzes se apagaram
Os cheiros se foram
Os sabores dos temperos
dos beijos de meus amores

Quando eu morri
Em apenas um instante se acabou
o próprio tempo
Em um segundo que não vi
Todo o tempo do mundo tinha passado
todas as voltas em torno desse e de outros sóis
tinham sido dadas
Eu nem senti

Todas as vidas vividas
todas as lágrimas choradas
todos os medos sentidos
todos os sentidos vividos

Tudo em um segundo que não vivi


Meus pais, minhas irmãs e irmãos
de sangue ou não
Todos os que conheci
Mesmo de relance
já tinham vindo, vivido e ido
e seus filhos
e os filhos dos seus filhos
E assim por diante nessa coisa que chamavam de vida

Tudo tinha ido
Tudo em um segundo que não vivi
um segundo ou todos eles
não importa
Já não estava aí para contar
O tempo
pois,

Tudo tinha ido
No instante que morri




Pensamento do dia [3]

Será que posso ter um futuro sem ter que trocar o presente por ele?